Um ovo, uma frase
Escrever, pra mim, é como uma dessas atividades prosaicas que por sobrevivência ou hábito desempenhamos quase que diariamente. Escrevo como quem frita um ovo, com a mesma necessidade e naturalidade de quem sacia a fome porque tem recursos para fazê-lo. Escrever é a consequência natural do matutar, idealizar, conceber. Se me angustio com minha escrita, é pela falta de musculatura da imaginação, que não me permite transformar toda (a) hipótese em história, toda (a) reação em passagem, todo (o) humano em personagem. Queria poder viver de vomitar o mundo ordenado sob uma perspectiva minha – profissão ideal: digerir o mundo e devolvê-lo a si mesmo, alimentar-me e retroalimentar (proponho, no máximo, Arroto Emocional). Penso que não cuspo ainda semente aproveitável, considerável, mas admiro o plantar indefinido que é produzir. Dependendo das mangas que se provou, uma parecerá mais doce, e a mais doce de um pode, certamente, ser azeda de outro. É por isso que há Paulos Coelhos e Bukowskis para públicos diferentes. Frugaissomostodos. Eu? gostaria de ser alimento para a minha própria tribo.
Publicado em 10 Fevereiro 2008 de 12:54 am e arquivado sobre Divagações, Metalinguística com as tags antropofagia, canibalismo. Você pode acompanhar qualquer resposta por meio do RSS 2.0 feed. Você pode deixar uma resposta, ou trackback do seu próprio site.