Barbaridade!
Que linda essa tinta nos teus pés
de unhas vermelhas curtinhas,
como se fossem os dedinhos
pequenas gotas de vinho
ou de sangue, ou de pimenta,
ou de manhã no cio.
O lençol dos teus cabelos
não cabe, ó Flor,
nas orelhas de livros,
nem mesmo nas de bassets.
Não cabe na psicanálise
nem na crítica.
Por fim, os teus movimentos,
gestos sutis, rebolados,
um nato gingado de quem sabe amar
e aceita, com sorriso,
um carinho (como o basset),
são em si pedaços poéticos.
Quem nega, entre as belezas,
essa delicadeza,
não merece mesmo a moça.
Merece picada de formiga
e cocô de passarinho,
merece ler poema ruim
e machucar o mindinho.
(Ana Marla)