Pequena nota autobiográfica
Eu quero FAZER algo, cansei de estudar e me sentir impotente. O teatro é bem da ação, e eu fico encantada com o desafio de emprestar meu corpo para dar vida à pessoa que o pensamento de alguém concebeu, se essa pessoa tiver algo a dizer que eu gostaria de dizer. É um ato de compaixão, de amor pelos outros, abdicar de quem se é para dar voz a alguém, ser o veículo de algo em que se acredite. Eu acredito na arte, talvez mais que na psicologia. Eu acredito que eu possa transmitir às pessoas o bem que a arte me causa, o incômodo que ela me traz, aquilo que eu mereço ouvir e que anda esquecido (que ando esquecendo). Eu gostaria, sim, de viver a dar vida a quem não tem corpo. Pra mim, que quero ser escritora, é quase a mesma coisa ser ator… tanto faz se fui eu quem escrevi, o ator se apropria daquilo que ele teria escrito e o lê, provoca sua audiência pessoalmente. E é parte de um projeto coletivo, duma realização grupal, a respeito da qual é possível dividir os sentimentos, as expectativas, os esforços, os sucessos, as impressões.
Ah…