Vejo os passos convictos enquanto paro e me pergunto: essa certeza, de onde vem? admiro e quase invejo a obstinação de quem segue, simplesmente segue. Há os pés, sem dúvida. Há o chão, indiscutível realidade. Mas o movimento... ah, o movimento... não se dá por pouco. Custa muito ou quase nada, ou por dever ou desejo que arrasta e faz quase voar. Mas aqui resta muito pouco de senso de dever ou desejo, resta o suficiente para manter de pé - por enquanto.
Balanço na rede embalada pelos braços que me contêm, me aninho, meu ser escapa. Paro. Faço provas que me provam estar cada vez mais distante do que me acende. Provar a quem? Paro. Sigo aguando as plantas. Elas sabem crescer, procuram o obscuro, afundam suas raízes e também peregrinam rumo ao sol. Seguem as direções opostas do mesmo caminho e não se contradizem em ser. Hoje ouvi o barulho da água escorrendo por dentro da terra e achei tão bonito. Sigo aguando as plantas, ouço também meus barulhos e procuro aprender a seguir e fincar raízes.
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Esta entrada foi publicada em 25 agosto 2011 às 1:36 am e está arquivada como Impressões . Você pode acompanhar qualquer resposta para esta entrada através do feed RSS 2.0
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28 agosto 2011 às 8:37 pm
Também me falta convicção, também invejo as flores. Elas também são bonitas sem o menor esforço
31 agosto 2011 às 2:02 pm
Gostei muito. Muito mesmo. Sem mais
15 dezembro 2011 às 9:46 am
Cadê atualizações, Ana Marla? ô dó…