Sonho:
Lilica doente, magra, com um braço amputado (direito?). Tenho pena. Fui visitá-la, ou a encontrei onde fui. “Ô, Lica.” Pena. Ela, em frente a mim, retira o fígado pelo corte direito no abdômem amarelo, como se preparado com iodo para alguma cirurgia cujo corte deixaram aberto. Eu olho o fígado pequeno demais, mirrado, identifico: ducto colédoco, ducto cístico. Ductos amarelos. Parecia um quadro de Frida, as estruturas fora de posição anatômica, em posição estética. “Ô, Lica, não fica tirando o seu fígado assim não, guarda ele de novo.” Aí eu estava na roça. Uma roça diferente, com as pessoas da minha família. A casa da roça parecia um farol num campo amarelo, um campo de trigo. O clima da casa era o de uma casa em que uma pessoa da família está doente. Parece que era uma atmosfera amarela. Van Gogh. Fiquei sentada com Lanja em uma mesa pequena, redonda, como de restaurante. Ela me disse que eu não podia… Acho que tinha isso, um clima de persecutoriedade, a família, a enfermidade de Lilica. Tinha raiva de Lanja no sonho, raiva por ela me dizer que eu não… Tive pena de Lilica, fraca, frágil, me mostrando o fígado doente. Lanja quer que Lilica se cure, alguém lhe abriu a barriga para consertá-la – e não conseguiu. Lilica mostra o fígado pra mim, sabe que eu sou empática ao seu estado, sabe que sou eu quem vai sentir por ela. Mostra o fígado como se estivesse triste porque ele não está saudável, ou porque abriram sua barriga e mexeram nele. Não costuraram, não consertaram. Talvez eu seja Lilica, esteja frágil porque as Lanjas me dizem que eu não… O fígado de Lilica é aquilo que Lanja não gosta de ouvir na mesa redonda. Mas por que Lilica?